Estamos em véspera do Carnaval, e desde que os miúdos
entraram na creche e comecei a trabalhar fora de casa, temos optado por
disfarces pré-comprados, ou seja, facilitismo e consumismo a dupla perfeita.
Apesar de tudo, não é nada fácil, pois como deste lado do
hemisfério tudo é caríssimo e este tipo de coisas, não essenciais á vida
humana, não existem a miúde, temos de as comprar nas férias e fora de tempo o
que nem sempre é fácil mas sempre lá aparece qualquer coisa. Este ano tinha
esfregado as mãos pois num dos presentes de natal apareceram uns pijamas-macacão
das tartarugas ninja, et voilá, menos um
problema para resolver. Até ao dia que recebemos um recado da creche a dizer
que este ano pela primeira vez os papás estavam convidados a participar na festa
elaborando para as suas crias o fato de carnaval com materiais reciclados, sob
o tema de transportes terrestres para a sala dos 2 e transportes marítimos para
a sala dos 4 anos. Que tema tão interessante, pensei eu, não podiam ter
encontrado coisinha mais fácil para uma primeira vez? Caramba, o que eu devia
ter trazido de Portugal na mala eram fitas colas e material de bricolage!
A primeira reacção foi de raiva, logo a seguir de suspiro,
eu sou capaz, afinal sou uma moça prendada de mãos, e a seguir, bolas este tema
é mesmo difícil e estranho para estas idades.
Ok, chega de lamúrias.
1º Pesquisar imagens na net, Pinterest, Google etc,
2º Procurar embalagens e lixo perdido pelas gavetas e cantos
da casa
3º Deixar os índios escolher o fato
4º Mão á obra
Cenário: Sábado de manhã, o sol a raiar lá fora a pedir uma
praínha, chão da sala cheio de tralhas espalhadas, uma mãe descabelada a tentar
criar qualquer coisa que possa ser vestível, dois índios a saltarem-me para as
costas a fazerem mil perguntas, com tesouras e utensílios perigosos nas mãos,
que desespero.
Resultado Final: A meio da tarde já tínhamos dois fatos. Um
submarino para o Mais velho, sala dos 4, e um carro para o mais novo, sala dos
2.
O submarino ficou a matar num mergulhador de banheira no seu
fato isotérmico.
Quanto ao carro que mais parece um comboio, bem…, nem sei que diga mas acho que é
normal para uma criança de 2 anos simplesmente recusar-se a meter um cartão ou
o que quer que seja á sua frente, de lado ou de traz, tudo o que não seja a
dita roupa normal, de preferência com o mickey e o faísca, este miúdo não deixa vestir, por isso vamos levar o
disfarce-carro/comboio-cartão, o que quiserem chamar, para a escola e as educadoras que utilizem como decoração
do salão de festas! Bolas também podiam ter escolhido outro tema!
Quanto aos fatos de tartaruga ninja, bem, já podem sair da
mala e ser usados na sua original função, como pijama! Vamos ter tartarugas
ninja á solta cá em casa.