Um dos locais que visitamos e pernoitamos alguns dias, nas férias da Páscoa, fica
na costa norte de Africa do Sul a uns escaços 30Km com a fronteira com Moçambique
é a chamada Wetland Park Isimangaliso no norte de KwaZulu Natal, Kosi Forest.
Trata-se de uma região costeira, património mundial chamada
Isimangaliso, o seu ecossistema é único e muito diverso em termos de avifauna,
floresta costeiras raras e outras criaturas, por exemplo um tipo de tartaruga marinha
que vem desovar naquela zona dunar em Novembro, claro que não tivemos essa sorte
pois Novembro ainda vem longe.
O que nos suscitou mais interesse neste local foi o seu
isolamento de tudo e a sua envolvência ser muito eco friendly.
A começar pelo caminho para lá chegar que apenas permite o
acesso a todo terreno, o que nos permitiu ir num carro daqueles abertos com
várias cadeiras em anfiteatro de safari, para delícia dos índios que nunca
tinham andado, porque não é permitido para crianças menores de 5 anos nas reservas. À
chegada pediram-nos para assinar um documento em que nos responsabilizávamos e tínhamos conhecimento por estar numa zona de animais selvagens e dos possíveis perigos que poderíamos estar sujeitos, também nos foi
informado que não existia energia eléctrica, apenas a do gerador que este deixa de
funcionar das 22h às 7h, porreiro! nada de novo para nós! E lá fomos nós atrás
do recepcionista, por caminhos de areia iluminado por archotes até ao nosso pequeno
chalé, feito de estrutura de madeira, paredes de rede e oleados, que descem
durante a noite, telhado de palha, camas com rede mosquiteira, e uma banheira
ao ar livre que fez a delícia de todos ao fim da tarde antes do jantar.
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Durante a noite podíamos ouvir tudo, tudo, todos os dias
identificámos ruídos diferentes, que em conversa com o gerente do lodge, nos
disse ser possível ser de javali, ou dos hipopótamos que durante a noite saem
dos lagos e vêm comer à floresta, e muitos pássaros, e outras coisas que nem
quero saber de quem eram os tais sons!
O dia começava cedo e cedo acabava, o jantar era ás 19h e
alvorada ás 6h com a luz do dia a marcar passo e quando abríamos a porta já alguém
tinha deixado um jarro com leite e agua fervida com bolinhos torrados para
acordar melhor, os índios monopolizaram logo esse avant-petit-dégener, a mim
fez me lembrar algo que não tem nada a ver, que era o pão e as garrafas de
leite que eram deixadas de madrugada na porta das casas no Portugal passado.
O receio que tínhamos de nos podermos chatear num sítio
isolado presenteou-nos com diversas atividades ao ar livre, no meio da
natureza selvagem, mesmo o que nós precisávamos.
No primeiro dia, fizemos um passeio de canoa num dos diversos
lagos da reserva onde vivem os hipopótamos, mas só vimos pássaros e nenúfares. Um
passeio a pé com direito a explicações de botânica pelo nosso guia local, na
floresta de fetos e das palmeiras ráfia, que pelos vistos é uma espécie rara e protegida
das zonas costeiras. Foi nos ensinada a sua semente e o seu ciclo de vida. A casca mole do fruto serve de alimento aos pássaros
que depois abandonam a semente e esta leva 5 anos a germinar, depois cresce e a
partir do momento em que dá fruto começa o processo de degradação / morte da
palmeira, mas que pode levar anos. Com direito a andar nas cavalitas do guia e de
passar as margens de um dos lagos numa canoa rudimentar utilizada pelos locais.
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No segundo dia o programa era ir de barco até ao lago
principal ver os hipopótamos e fazer um picnic na zona dunar já na praia da
costa do índico, mas choveu o dia todo e nós decidimos ir na mesma, o que
tornou tudo ainda mais selvagem e misterioso, os índios portaram-se melhor do
que nunca nada de choros de birras e debaixo do oleado que nos forneceram e que
usamos os dia todo lá espreitavam atentos para não escapar nada, afinal ainda tínhamos
de descobrir os tão famosos hipopótamos. Percorremos as 4 lagoas da reserva num barco tipo lancha mas chovia tanto que algumas partes do percurso mantínhamos-nos escondidos debaixo do oleado, mesmo assim vimos os cercos feitos pelos pescadores locais para apanhar os peixes que vem desovar naquelas lagoas, e no fim quando já mentalizados que os hipopótamos iam ficar para uma outra viagem , lá estavam eles, a família completa no meio do lago a olhar para nós, tirámos uma foto bem tremida que nem dá para mostrar, mas ficou tudo retino na memória. O pic-nic acabou por ser feito numa
palhota refúgio dos pescadores locais que nos cederam para o almoço, e
porque não podíamos ficar sem ver as tais praias selvagens do índico onde
desovam as tartarugas lá fomos nós sob uma chuva densa tropical pelo caminho
fora até á praia, os nossos companheiros ingleses ainda deram um mergulho, mas
o índio M decidiu adormecer no babysling na caminhada e ficamos apenas pelo
desejo de ter tido um dia de sol e de que teríamos dado muitos mergulhos
naquele mar turquesa e translúcido. As fotografias foram todas de telemóvel, pois com tanta chuva e humidade, e com os índios sempre debaixo da nossa asa, nem nos atrevemos a mais malabarismos com a máquina fotográfica.
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No final estávamos encharcados até á alma, cansados e
felizes e para rematar em perfeição enchemos a banheira do quintal com água
quente (sim, havia agua quente do esquentador) e deliciámo-nos com a luz do fim
de tarde e dos ruídos da floresta e um jantar gourmet.
Como se diz aqui pela banda, vidas mulatas!
NOTA: as fotografias são todas do telemóvel porque a internet não "me deixa" colocar as que gostaria mesmo de mostrar, para aqueles mais próximos haverão oportunidades para mostrar tudo em pleno.