A primeira parte das nossas férias da páscoa, foram passadas
nas “Midlands” e nas montanhas Drakensberg que fazem fronteira com o Lesotho.
Curiosamente estou a relatar o circuito das férias no sentido contrário do
relógio!
De repente pareceu-nos que tínhamos chegado a Inglaterra, ou Nova Zelândia nunca lá
estive mas penso que seja um bocadinho assim também, tudo verde, chuva que
aparecia de vez em quando, muitas vacas a pastar e cavalos, quintas por todo o
lado, casas com telhados de colmo de estilo mais ou menos rustico conforme a
dimensão da quinta.
Aqui consegue-se comprar directamente ao produtor alguns
produtos como, a alfazema
Ficámos no numero 8, do Lodge “Granny Mouse Country House”,
nome sugestivo. Choveu imenso no
primeiro dia, ficamos a olhar a chuva pela janela do sótão, quarto dos
índios, e quando parou, caminhamos à beira do “Zion River” até que encontrámos
uma mini cascata, mal sabíamos, que estávamos a fazer um mini aquecimento para
o dia seguinte nas montanhas
O primeiro contacto com os macaquinhos ladrões, foi ao
almoço, tivemos a visita de vários e um deles saltou da arvore directamente
para a nossa mesa e arrancou, literalmente, da mão do índio grande, a fatia de
pizza e depois fugiu! Eles eram mesmo atrevidos! Mas os índios acharam graça
apesar de mostrarem um pouco de medo.
As várias salinhas de convívio distribuíam-se ao logo de
várias divisões, dando a sensação de estarmos mesmo na casa da avó, cada uma
tinha uma particularidade, às vezes uma lareira, um armário com velharias ou
uma janela rasgada sobre a paisagem com o monte ao fundo. Assim aquele
fim-de-semana de Páscoa soou-nos ao aconchego caseiro da aldeia, e claro, não
faltou o cabrito na mesa.
Segundo o mapa do guia turísticos ali á volta existiam
muitas atrações, mas a
nossa escolha
levou-nos a percorrer um considerável numero de quilómetros, quase
duas horas de carro em estradas secundárias mas em bom estado de conservação,
para um sitio pouco assinalado no tal do guia, mas que se revelou ser a escolha
perfeita, fomos até ás montanhas
Drakensberg que fazem fronteira com o Lesotho. A verdade é que fomos sem saber
o que íamos encontrar, foi um pressentimento que tanto nos caracteriza e que
nos surpreende quase sempre pela positiva.
Uma das entradas do parque nacional de Drakensberg, é
controlada e paga-se um valor, para manutenção, e conforme fomos
avançando a montanha desvendava-se! Escarpas, vegetação montanhosa, o rio a passar
lá em baixo, os pássaros, um ou outro animal! Lindo! No fim da estrada
encontramos um pequeno lodge de cabanas, com um restaurante e uma recepção onde
se vendiam os mapas dos trilhos da montanha, era ali o ponto de partida para
uma série de percursos pedestre com diferentes graus de dificuldade.
Quando entramos na esplanada do restaurante deparamo-nos com
uma paisagem arrebatadora, lá estava, a imponente montanha cujos picos estavam
tapados por nuvens que timidamente se foram afastando deixando a nu toda aquela
maravilha natural, e rendemo-nos à vista e almoçamos no horário de turista da
europa do norte, aquela que foi para mim a melhor truta que alguma vez comi, quer
dizer meia truta pois até o mini índio que nunca quer nada decidiu comer a
outra metade, era mesmo gulosa.
Com a barriga cheia e cheios de coragem lá fomos caminhar um
bocadinho, a escolha foi o percurso mais
pequeno do mapa, até ás cavernas “bushman caverns”, que dizia +/- uma hora, mas
que por algum motivo demorou quase o triplo, e se fossemos mais um
bocadinho? Só até ali á frente para ver a curva? A meio do percurso à conversa com uns
venezuelanos que cruzamos no caminho, descobrimos que na tal caverna estavam as
pinturas rupestres mais famosas de África!
O índio grande caminhou feliz e contente pelo menos 2/3 do
percurso, enquanto o mais pequeno, ora disfrutava a paisagem ora dormia uma
sesta agarrado a mim no babysling. Grande aula de ginástica que fez a mama! Pessoalmente adoro montanha, caminhadas,
verde, sensação de liberdade e tínhamos tudo ali, não podia desperdiçar o
momento, só porque os índios são pequenos,
sendo assim, sling para a frente que o caminho é longo e precisamos de
encher os níveis de clorofila da família.
O percurso inicialmente fez-se ao longo de um carreiro numa
das encostas desafogada da montanha, passando por pequenos riachos e algumas
escarpas, até chegarmos ao inicio da tal gruta que acabamos por não entrar
por não termos bilhete e tempo para esperar pela hora da próxima visita,
perseguindo caminho agora à beira rio até chegarmos ao parque de merendas onde
estava estacionado o carro e onde picnicámos antes de regressar à casinha da
avó ratinha, onde dormir nessa noite foi um verdadeiro prazer!
Ah e esqueci me de dizer que o coelho da Páscoa, que desconfio
que por estas bandas seja mais um macaquinho, deixou mesmo ovinhos de
chocolate escondidos pela nossa casinha, que os índios rapidamente descobriram
e se deliciaram!
Ainda nesta zona das Midlands e perto da casa da avó
ratinha, visitamos o Museu do Apartheid , que tem a famosa escultura memorial
de Nelson Mandela, cuja visita nos proporcionou uma série de perguntas feitas
pelos índios, quem era aquele senhor?, e porquê? e porquê? e porquê?
E… seguimos caminho!
1 comentário:
Gira a foto dos pezinhos - na versão aventura em família :-)
Obrigada pela partilha!
É sempre empolgante seguir estas tuas descrições.
Apetece ser um pulguinha (pequena e leve) que facilmente pudesse ser levada pelos 4 nestas aventuras :-)... Inveja! (da boa!)
Beijos
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